Museu da Língua Portuguesa

sábado, 31 de outubro de 2009

Calendário Escolar 2009-2010

sábado, 12 de setembro de 2009

1.º Período

Início Entre 10 e 15 de Setembro - Termo 18 de Dezembro



2.º Período

Início 4 de Janeiro - Termo 26 de Março



3.º Período

Início 12 de Abril - Termo 8 de Junho para o 9.º, 11.º e 12.º anos
e 18 de Junho para os restantes anos
de escolaridade

Velho, Mafalda Veiga

terça-feira, 2 de junho de 2009




Velho
Parado e atento à raiva do silêncio
De um relógio partido e gasto pelo tempo
Estava um velho sentado no banco de um jardim
A recordar fragmentos do passado

Na telefonia tocava uma velha canção
E um jovem cantor falava na solidão
Que sabes tu do canto de estar só assim
Só e abandonado como o velho do jardim?

O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem como tu
Um velho sentado num jardim

Passam os dias e sentes que és um perdedor
Já não consegues saber o que tem ou não valor
O teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
Para dares lugar a outro no teu banco do jardim

O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem como tu
Um resto de tudo o que existiu
Quando forem como tu
Um velho sentado num jardim

Escada sem corrimão , David Mourão Ferreira




ESCADA SEM CORRIMÃO



É uma escada em caracol

E que não tem corrimão.

Vai a caminho do Sol

Mas nunca passa do chão.


Os degraus, quanto mais altos,

Mais estragados estão,

Nem sustos nem sobressaltos

servem sequer de lição.


Quem tem medo não a sobe

Quem tem sonhos também não.

Há quem chegue a deitar fora

O lastro do coração.


Sobe-se numa corrida.

Corre-se p'rigos em vão.

Adivinhaste: é a vida

A escada sem corrimão.


DAVID MOURÃO-FERREIRA

(24 Fev 1927 - 16 Jun 1996)

"Ser Poeta" de Florbela Espanca

segunda-feira, 25 de maio de 2009



Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

Florbela Espanca - Vida e Obra

Vida e Obra de Miguel Torga

sábado, 16 de maio de 2009

 
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